Que venha o Movimento Open!

Porque as organizações de hoje, sejam empresariais, sociais, políticas ou ambientais cada vez mais não respondem a seus próprios desafios?

Porque pessoas, em todo o mundo, cada vez mais insatisfeitas, distanciam-se e não se identificam com as organizações que fazem parte?

Por que a sociedade e a biosfera estão cada vez mais em desequilíbrio?

As perguntas acima me inspiram hoje e inspiraram por décadas Dee Hock, fundador da Visa e precursor do conceito de Organizações Caórdicas.

Hock empreendeu uma organização baseada em sistemas de negócios abertos e distribuídos.

O sistema VISA em 2008 chegou a ter próximo de 15 milhões de comerciantes, 20 mil instituições financeiras, 600 milhões de pessoas em mais de 170 países.

O volume de negócios ultrapassou 1 trilhão de dólares com crescimentos acima de 20% anualmente. Hoje, 10 anos depois, a VISA voltou ser um sistema centralizado, controlado e comandado por poucos e grandes bancos, com 44 milhões de estabelecimentos, mais de 3 bilhões de portadores de cartões em 200 países, vive em continua e crescente ameaça por milhares Fintechs, Criptomoedas e Blockchains.

Sistemas que se fecham tendem a morte!
O sistema bancário como conhecemos desde sempre, entrou em colapso e muito em breve deixará de existir. Um novo movimento, com modelos disruptivos e ainda desconhecidos, abre caminho para uma nova rede de negócios e empreendedores.

Não é, e não será a Amazon, com seus mais de US$ 900 bilhões de valor de mercado, a referência deste novo modelo de negócios abertos, distribuídos e sustentáveis, ao contrário.

O modelo organizacional da rede Visa pode ser reconhecido pelos princípios da biomimética, modelo que espelha se nas dinâmicas, ciclos e fluxos da natureza.

Por 40 anos a rede Visa sustentou-se em um modelo
de negócios com alta transparência e participação de todos os envolvidos, com gestão e decisões descentralizadas, compartilhamento de estruturas dinâmicas, em uma cultura de colaboração com estimulo a concorrência e em um propósito orientado ao bem coletivo.

A Visa foi uma organização de transição que como rede atingiu seu pondo máximo de lucratividade e abertura e neste ponto, inacreditavelmente se fechou!
No ponto de transcendência fechou-se, voltou ao modelo centralizado de comando e controle, de um modelo de compartilhamento e distribuição de valor, passou a concentrar e reter.

Indo contra o fluxo natural interrompeu um ciclo de transformação e entrou em declínio como rede.
Talvez como corporação, ameaçada pelos PayPals, ainda apresente bons resultados.

E o que o movimento Open tem a ver com isso? Tudo.

A dinâmica espiral de Movimentos, Redes e Grupos fazem parte dos ciclos de vida e morte tanto de indivíduos como de organizações. Como surgem as redes de franquias por exemplo?

A Rede McDonalds, surgiu a partir de um pequeno grupo de pessoas que idealizou, operou e viabilizou sua primeira loja. Do êxito da primeira loja, a partir de um pequeno grupo de pessoas, foram desenvolvidos processos e padrões operacionais replicáveis que viabilizaram a expansão da rede que, ainda hoje deve ser a maior rede de franquias global.

O processo de expansão do primeiro grupo para uma rede de milhares de lojas se deu a partir de um movimento. Neste caso, o movimento do sonho americano de que famílias
poderiam empreender seus próprios negócios, oportunidade com baixo risco.

O movimento dos sem chefes!

A Rede Visa, nasceu distribuída, aberta e se fechou.
A VisaNET já não existe (Hoje é Cielo). Pessoalmente
participei das primeiras reuniões da VisaNet no Brasil em 1996. A Rede (Plataforma) Amazon nasceu centralizada fechada e assim segue firme e forte, comprando
organizações mais abertas ( WholeFoods e Zappos ) e as fechando também.

A Rede McDonalds nasceu centralizada e assim segue, hoje já não tão forte. Que o digam as milhares de hamburguerias artesanais em operação e crescimento no Brasil.

-> Grupo ( 1o. Loja McDonalds )
-> Movimento ( Franquias )
-> Rede ( McDonalds – Lojas Próprias e Franqueadas)

A Rede McDonalds sempre foi uma rede centralizada e fechada, rede que inspirou o movimento de franquias no mundo e este por sua vez inspirou várias primeiras lojas, estas inspiraram muitas redes de franquias fechadas e centralizadas.

A ABF (Associação Brasileira de Franchising) hoje conta com mais de 145.000 lojas de 2.800 redes fraqueadas em um sistema predominantemente fechado de comando e
controle.

Pessoalmente inaugurei operei algumas das primeiras franquias da Rede da Vivenda do Camarão em 1997 em um sistema eficiente e fechado.

Atualmente participo de um movimento inspirado no propósito de valorização e desenvolvimento do
comercio independente, da lojinha do bairro, operada e gerenciada por famílias.

Esse movimento nasceu em 2004 na ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores) com o nome de Empório da Comunidade. Um dos reflexos deste movimento teve impacto em 2008 no varejo de bairro de material de construção com a origem da Rede MATCON.

A Rede conta hoje com vários grupos de até 25 pessoas,
representando no máximo 10 empresas não concorrentes, grupos de fabricantes, distribuidores, comerciantes do setor da construção, formados por empreendedores e líderes empresariais que se reúnem com frequência, com dinâmicas de aprendizado sistematizadas e desenvolvem, a partir de encontros, viagens e experiencias, projetos colaborativos e negócios em rede.

Uma rede aberta e distribuída.
O G8, por exemplo, é um dos grupos da Rede MATCON. Criado em 2010 é formado por atacadistas de material de construção que juntos atendem mensalmente mais de 40.000 micros e pequenas lojas de material de construção em 3.300 municípios.

Juntos entregam semanalmente, além do material de construção, conhecimento, inovação, digitalização e principalmente renovam a cada entrega, a confiança do pequeno comerciante de vizinhança em fazer parte de uma rede que hoje é o maior sistema de distribuição de material de construção do país.

Hoje, talvez a maior franquia fechada neste setor não
chegue a 250 lojas e, com o crescimento da Amazon do comercio eletrônico esse número, mesmo com
otimismo, não deve aumentar muito.

-> Movimento ( Empório da Comunidade )
-> Rede ( MATCON Comercio de Material de Construcao )
-> Grupo (G8 – Distribuidores Regionais não Concorrentes)

Um movimento de impacto no repensar nossos modelos de negócios e organizações, liderado por Robert Owen nasceu em 1844 quando a indústria tradicional de algodão Inglesa entrou em colapso, com preços por fardo caindo de 150 para 20 centavos de libra.

Alguns funcionários, com salários atrasados, criaram
apoiados por Owen o Rochdale Equitable Pioneers Society, sem saber que seriam lembrados historicamente como os inspiradores do movimento global de cooperativas.

Owen ficou rico como comerciante de algodão e se deu conta meados do século 19, que o sistema negocial da época que tornou tudo, pessoas e natureza em commodities, iria causar grandes danos a tudo e a todos.

A resposta dele foi a de promover Vilas de Cooperação
(villages of cooperation) onde trabalhadores poderiam superar a pobreza e escassez, cultivando seus próprios alimentos, tecendo suas próprias roupas e operando em
comunidades auto governadas.


Rochdale não foi a primeira cooperativa, mas uma das que mais rápido cresceu e durou. Em 6 anos chegou a 600 cooperados e um capital de 2.299 libras, índice de crescimento invejável para corporações privadas da época.

Seu sucesso foi operar baseado em valores que se
tornaram a base do movimento de cooperativas no mundo conhecidos como princípios de Rochdale – Abertura, Voluntariedade, Pertencimento, Controle Democrático, Lucros Distribuídos para Proprietários – Trabalhadores, Práticas de Negócios Honestas, Visão de Futuro Compartilhada e Cooperação entre Cooperativas.

Em 1895 o movimento de cooperativas levou a fundação da ICA (International Cooperatives Alliance) em
Londres. O princípio fundamental do movimento é a crença de que as pessoas têm capacidade natural de autodesenvolverem-se, econômico e socialmente, através de ajuda mútua e reciprocidade, operando em organizações abertas e participativas.

Em 1995 quando o ICA completou 100 anos o movimento
reafirmou que seu papel único é o de harmonizar interesses de pessoas e grupos e suas diferentes capacidades, como consumidores de produtos e serviços, como poupadores e investidores, como produtores e como trabalhadores.

Em um momento onde as nações perdem o controle de uma economia global – na realidade nunca o tiveram – as cooperativas têm uma oportunidade única de cuidar e expandir os interesses de pessoas comuns, disse uma declaração do ICA, agora ainda mais, apoiadas por
plataformas digitais e mídias sociais.

Parte de um movimento global de cooperativas, nasce em 1945, como uma rede de cooperativas, hoje um dos maiores grupos empresariais da Europa, talvez a maior rede de cooperativas do mundo um fenômeno.

Conheci a Mondragon em 2000 quando vivi na Espanha e no ano passado (2018) concretizei um sonho de visita-los, um belo encontro dos acionistas do grupo G8 e de diretores cooperados da MCC – Mondragon Cooperativa Corporation.

Logo após a segunda guerra mundial, o jovem padre Don Jose Maria Arizmendiaretta fixou-se no empobrecido País Basco no norte da Espanha onde a maioria dos jovens viam-se forcados, sem opção de trabalho, a migrarem para as grandes cidades.

Don Jose fundou uma escola técnica voltada a produção e comércio com foco social e ético para os jovens da região. Com os primeiros graduados na escola, fundou também uma fábrica de fornos em 1956.

Para aumentar o capital implantou junto com seu grupo, um banco cooperativo, a Caixa Laboral Popular, para cuidar da poupança das famílias locais.

Os fundadores do novo banco apelaram para a comunidade local dizendo que o único jeito de construir indústrias locais seria manter os jovens em suas comunidades.

Essa corporação tornou-se uma bandeira inspiradora para uma serie de cooperativas fundadas por Don Jose, todas alicerçadas na convicção de que negócios humanizados organizados em cooperativas poderiam ter sucesso dentro de um mundo cada vez mais capitalista.

Setenta anos depois a rede de exitosas cooperativas Mondragon é um grande exemplo de uma rede de
corporações industrias de propriedade de seus próprios trabalhadores.

Em 1990 a rede se organizou em uma cooperativa corporativa (ou será uma corporação cooperativa?) que hoje chama-se MCC – Mondragon Cooperative Corporation.

A MCC é uma cooperativa de nível I, tendo em seu entorno, 3 cooperativas de nível II, sendo uma de organizações educacionais, uma de empresas comerciais e a
terceira de fábricas indústrias com cada vez mais, alta tecnologia.

Em 2007 a MCC contava com mais de 100.000 trabalhadores proprietários, 218 empresas cooperativas de nível III e atingiu um faturamento anual de mais de 16 bilhões de euros.

Hoje são mais de 18 bilhões de euros em 100 empresas.

Muitas cooperativas se fundiram e outras muitas fecharam.

Por outro lado, novos empreendimentos nasceram
suportado por um poderoso ecossistema de inovação e aceleração de startups.

As cooperativas MCC investem anualmente 10% de seu lucro em atividades de natureza social, através do Fundo de Educação e Promoção Cooperativa ( PEPC – Education and Cooperative Promotion Fund).

Neste ano de 2018, um grupo de jovens brasileiros entre 14 e 20 anos visitou a MCC, em especial a MTA (Montragon Team Academy) uma inovadora universidade sem fronteiras e quase que sem salas de aula.

Entre os jovens estava o jornalista Gabriel Oliveira, 19 que escreve sobre redes colaborativas e acompanha de perto as evoluções da Rede Matcon e do Grupo G8.

Me chamou a atenção como a Mondragon se assemelha com o G8, é um fato meio óbvio, mas não tinha parado para pensar nisso ainda, e ao escutar sobre o sistema de transparência e autonomia entre todas as cooperativas, me lembrei da maior rede de distribuição de materiais de construção do Brasil. Até que estava com saudades de usar esse vocativo para G8, relata Gabriel.

Voltando a dinâmica espiral de Movimentos, Redes e Grupos, dou aqui especial atenção a minha apreciação, animação e alegria em participar do inicio do movimento Open.

Acredito que a partir desta iniciativa, muitas redes e muitos grupos possam surgir, amadurecer e se desenvolver, criando uma plataforma de pessoas e tecnologias que potencialize e transforme o atual modelo de organizações
fechadas, em negócios mais maduros e conscientes.

Que impulsione, negócios, estratégias e lideranças
que valorizem ao mesmo tempo a autonomia e a integração, das pessoas e das organizações que delas
emergem.

Mais que regenerar nosso ecossistema de negócios estamos falando aqui na criação de uma rede de negócios sucessivos.

Acredito que as novas tecnologias (inteligência artificial, internet da coisas, realidade ampliada, bigdata,
etc ) possam ser meios facilitadores e aceleradores para essa transformação e não fim em si mesmas.

É no equilibro entre a transformação cultural (colaborativa e solidaria) com a absorção (inteligente e cuidadosa) de novas tecnologias digitais que o caminho do Open está!

Tenho a intuição que chegou a hora de reconhecermos nosso modus OPEN operandi, nossa forma natural e inteligente de empreender em rede e acreditar que nossas organizações serão mais saudáveis rentáveis se refletirem em seus processos, estratégias e liderança esse modo mais aberto de operação.

Em movimento, vamos criar muitos grupos colaborativos e cooperativos! Vivemos e empreendemos em rede, somos Open por natureza!

-> Movimento OPEN
(Cultura, Estratégia, Liderança e Celebração )

-> Redes OPEN
(Identidade, Organização, Gestão e Decisão)

-> Grupos OPEN
(Cooperação, Carinho, Execução e Resultado)

Guilherme Plessmann Tiezzi
Value Builders e Co-Fundador do Open.

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