Existe uma transição de paradigmas e de modelos econômicos que nos revelam uma necessidade de adquirir maturidade para uma cultura colaborativa regenerativa e de integração de diferentes níveis de consciência por meio de plataformas de comunicação e interação que promovam mudanças em cenários complexos.

Para muitos entusiastas um momento de oportunidades e de grandes transformações. Agora, que tipo de oportunidade estamos buscando?

É importante observar que a oportunidade que temos como geração presente, (escrevo de 08/2018), é a de colaborar com a reparação dos danos que como humanidade, ou sociedade, por meio do antropocentrismo, temos causado a nós mesmos, por exemplo, por um sistema econômico exponencial que valora o crescimento em um ambiente finito e sem capacidade de atender essa lógica. Todos já sabemos, agora é preciso sentir.

Uma das transformações que necessitamos é assumir a co-responsabilidade de enfrentamos juntos a compreensão que como seres humanos interferimos diretamente nos serviços e fluxos ecológicos essenciais ao equilíbrio natural, termo dado a essa interferência: Ecocídio.

Os sistemas de pensamentos atuais impactam diretamente, uma vez conectados com a estruturas de informação, com diversos níveis de realidade. A Aldeia Global, obra onde seu autor Marshall McLuhan (1964) previu uma sociedade em rede, conectada, agora é realidade.

O objetivo desse esforço é reforçar a importância do empreender em rede; é justamente impulsionar o emergir de novas soluções ao cenário de colapso que construímos em pouco mais de 100 anos. Um século que nos custou e continuará custando muito caro caso não tenhamos a capacidade de empreender em rede gerando valor compartilhado.

Papéis para empreender em Rede

Redes aqui deixam de ser apenas plataformas digitais e passam a ser considerados um conjunto de grupos que interage com propósito.

Quando parei para investigar o termo empreender em rede gerando valor compartilhado, fiquei curioso na relação de valorar e valorizar.

Fui atrás de algumas referências e encontrei artigos de Michael E. Porter e Mark R. Kramer a respeito do termo. Inicialmente fiquei muito feliz de ler que Porter e Kramer atribuiem em grande parte, aos modelos empresariais atuais a responsabilidade da situação de falência dos modos de produção e gestão, resultando nos impactos gerados, como por exemplo os citados no início deste artigo.

Outro ponto interessante esta na integração entre sociedade e setores produtivos através de uma relação que transcende a conhecida responsabilidade social.

É dizer que necessitamos ir mais profundo nessa relação de equilibrar o que recebemos e o que oferecemos em modo de produção econômico.

Existe desequilíbrios sistêmicos não contabilizados.

Existem duas dimensões que poderíamos aqui revelar utilizando essa visão de Porter e Kramer, com o objetivo de buscarmos profundidade em uma interação entre empresas, governos e sociedade: o cuidado e a regeneração.

Isso quer dizer que temos de ambos os lados a co-responsabilidade, a maturidade organizacional e a consciência de utilidade ou servir esse processo de transformação.

Precisamos de uma forma mais sofisticada de capitalismo — forma imbuída de um propósito social. Porter e Kramer.

O valor compartilhado é a chave que irá abrir a próxima onda de inovação e crescimento nas empresas. Porter e Kramer.

E o que seria mesmo esse tal de valor compartilhado?

O trabalho de Porter e Kramer fala de uma mudança nas organizações, na formam em que gerenciam seus sistemas produtivos, utilizando a clusterização, ou a segmentação de sua produção em grupos que atuam através de vários níveis de conexão e compromissos, utilizando métricas antes não relevantes em ciências administrativas como novas métricas, por exemplo de regeneração, geração de confiança e relações com comunidades e redes.

Também encontramos a necessidade de criar ambientes transdisciplinares e transpessoais. Isso inclui a necessidade de inovar socialmente. Será necessário mudar a forma com que aprendemos. Já não será em salas de aula e com grupos coesos pela mesma idade, segmento ou localidade que a criatividade manifestará em seu pleno potencial.

Um salto para as organizações do futuro que empreendam nesse caminho esta além de incluir a sociedade (dimensão social), incluir a Natureza, a inteligência ecológica depende da alfabetização ecológica, somente assim vamos reconhecer a Natureza como sujeito de Direitos, oferecendo uma mudança de visão de mundo, saltando do antropocentrismo para o ecocentrismo.

No século passado era normal ter uma tabela de preço onde os produtos eram seres humanos trazidos da África. Nesse século é normal ter uma tabela de preço onde os produtos são animais confinados para a produção de carne.

Entender que os chamados recursos naturais também podem ser compreendidas como consciências, e que essas, possuem diferentes funções sistêmicas essenciais, poderá marcar o nascimento da era Cosmogeoética.

A Cosmogeoética é a capacidade de analisar diferentes contextos, conjuntos de fatos e evidências, destacando antes da dimensão monetária ou de decisão humana, a oportunidade de qualquer espécie, bioma, território ou comunidades, quer seja humana ou não, serem consideradas sujeitos de Direitos considerando suas conexões e serviços funcionais ecológicas, culturais e sociais, valorando estes em relação a valorização unicamente monetária do valor da intervenção ou ação de interesse local.

Cosmogeoética – Diogo de Castro Lopes

É reconhecer o ato de valorar em todos os aspectos e dimensões expandidos, materiais e imateriais, o Território, e ou seus habitantes, e de qualquer espécie, reconhecendo-os sujeito de Direitos.

Quer seja pela tese de princípios, valores e ou fatos e evidências sistêmicas que analisam causas e efeitos, qualquer intervenção ou ação que esteja diretamente ou indiretamente vinculado a um ambiente Natural, ou recursos naturais, deverá apreciar o equilíbrio sistêmico, por ser uma causa primordial da existência de todas as entidades viventes, poderá ser considerada, não para impedir ou coibir qualquer avanço econômico, mas para que possa emergir novas soluções de avanços que expandam a percepção do que seriam avanços em um conjunto de realidades distintas e co existentes.

Esse aspecto sutil é a garantia de que danos ou situações como catástrofes e ou desastres possam ser previamente evitados. Nesse momento já estamos em cenário de catástrofes segundo a Plataforma Intergovernamental da Biodiversidade e Serviços Ecológicos. É uma emergência gerar valor compartilhado e considerar a Cosmogeoética: a sabedoria ancestral local e sua visão integrativa como bussola orientadora para o processo de tomada de decisões coletivas geopolíticas.

A Cosmogeoética é a análise dos diferentes conhecimentos classificados como sabedoria ancestral ou patrimônio imaterial através de seus representantes fidedignos através de conselhos circulares.

Cosmogeoética – Diogo de Castro Lopes

A geração de valor compartilhado, expande de um princípio organizacional formal como vimos acima, no conceito proposto de Porter e Kramar, para outros que possam incidir em processos, práticas e procedimentos de maneira a comunicar sua essência a diversos setores e segmentos da sociedade humana.

Entretanto devemos aplicar esta visão para níveis organizativos informais como indivíduos de diferentes níveis sociais ou culturais, com o objetivo de sensibilizarmos para atuar de maneira conjunta em grupos vencendo desafios e necessidades em dois contextos: individual (sobrevivência) e coletivo (evolução). É importante considerarmos a todos, pois a co responsabilidade do consumidor por exemplo, perante a um modelo de consumo é talvez mais significativa ainda do que de uma empresa que é sustentada pelo financiamento direto ou indireto de ações sem valor compartilhado.

Em um paradigma corporativo o sucesso econômico dependerá de uma mudança de cultura organizacional e paradigmas.

Nos paradigmas colaborativos essa maturidade organizacional também é necessária, mas acrescentamos agora uma nova variável: a necessidade de gerar renda. Sem propostas e soluções emergentes será difícil transicionar.

Para compreender a cultura organizacional de maneira convencional, pensemos em funções, papéis (quem e como executamos as funções necessárias) e seus acordos (condições e prazos) para operar.

Se queremos entender de uma maneira empírica, menos formalizada, podemos pensar inicialmente em pelo menos duas funções:

Os Facilitadores e os Animadores de Rede.

O Animador de Rede também é um facilitador, ele atua como um provocador que ativa grupos em torno de um propósito ou objetivo. Em alguns casos pode ser que não tenhamos um propósito ou objetivo, mas um tema, segmento, causa ou ideia ou uma busca, um processo de investigação, exploração.

O Facilitador tem a capacidade de incitar e extrair sínteses, sobre como o grupo pode auto organizar-se, facilitando diálogos através de um entendimento profundo sobre o que significa interagir ou a interação presente.

Ele é o responsável por estruturar ou observar os temas de interesses, necessidades e desafios bem como as percepções de cada participante, oferecendo apoio para que essa experiência seja significativa, ou seja, tenha significados claros para os participantes ou pelo menos tenha um sentido seja racional ou transracional.

Papéis e funções para ativar empreendimentos em rede — Diogo Lopes

A Arte de Cultivar Redes

Empreender em rede requer uma capacidade de cuidar e gerar confiança em indivíduos para que eles sintam-se comprometidos com grupos, sem opressão ou assédio moral, ou violência, ainda que sutilmente. Temos que ter atenção devido a nossos condicionamentos e distorções cognitivas, quando estamos manipulando ou persuadindo.

Cuidar com carinho dos participantes conhecendo suas potencialidades necessidades para gerar confiança é algo que deve ser feito de forma natural e espontânea e com constância.

A Arte de Cultivar Redes é uma forma muito eficaz de aproveitar a sabedoria coletiva e a capacidade de auto-organização de grupos. Preferencialmente grupos de 2 a 7 pessoas fica mais fácil de cuidar e manter coesão.

Alguns dos métodos que podemos utilizar para criar conversas abertas e significativas que geram comprometimento e bons resultados são: Circulo de Palavras, Café Global (World Cafe), Investigação Apreciativa (Inquérito Apreciativo), Tecnologia do Espaço Aberto (Open Space), Café Pró-Ativo (ProAction Cafe), contação de histórias (storytelling) e muito mais — os praticantes podem adaptar a abordagem de acordo com seu contexto e propósito.

Tabela de métodos por fases e atributos da rede — Diogo Lopes

A Arte da Colheita de Conversas Significativas

Quando cultivamos um jardim estamos realizando uma troca sistêmica e intercambiando sistemicamente de forma recíproca. A medida que damos, recebemos. Um jardineiro pode não ver visivelmente essa relação, mas alguns podem sentir.

Da mesma forma, toda pessoa que planeja anfitriar um encontro, reunião ou cultivar uma rede também quer obter um bom resultado de seus esforços se atuar desde do sentir.

Neste caso, a colheita deve seguir duas categorias: tangível e intangível.

Uma das dificuldades no “Empreender em Rede” e “Gerar Valor Compartilhado” ou “Geração de Renda”, está primeiro no sentido que damos as “ações” e depois a sua percepção de “valor”.

Tabela de Sentidos X Fases de Empreender em Rede — Diogo Lopes

Para tentar facilitar o processo de partilha, vamos propor alguns sistemas de percepção de valoração e contabilização em quatro conjuntos de desenvolvimento: humano, de grupos, de organizações e sociedades.

O primeiro grupo tem a necessidade de “renda” e pode estar acumulado nos demais conjuntos. Por isso separamos por “tipo de renda”: ativador, facilitador, focalizador, realizado e sistematizado. Dessa forma, em um processo de fluxo, podemos partilhar ou clusterizar recursos para cumprir o objetivo proposto pelo propósito.

Já na coluna de valor da tabela de sentidos x fases acima, é algo que necessita de outra tabela. Relacionarei em hipótese para isso uma matriz em três níveis: dimensões de valor, atributo de valor gerado e categoria, respectivamente visualizado na tabela abaixo:

Matriz de Percepção de Valor — Diogo Lopes

Na dimensão física está o encontro presencial, a pessoalidade, e por isso é capaz de promover a confiança.

O compromisso de continuar participando do grupo está na claridade do propósito sobre como aprendo ou compartilho através da interação ou convivência.

A conexão vem de padrões e característica emocionais que resultam de variáveis dos níveis e dimensões anteriores e é de ordem mais complexa prever e que tem relação entre a conexão das quatro dimensões. Quer dizer, o quanto o meu estado emocional dependeria de um cuidado físico?

Como diz o ditado, corpo saudável, mente saudável.

Por fim, a CoCriação, por se tratar da criatividade tem um atributo intangível, através do espírito, ou etimologicamente: do “respirar juntos”, que mantém o mesmo ritmo para realizar a ação ou realização conjunto e só ser possível caso tenhamos um alinhamento entre os itens anteriores.

Sem falarmos de virtudes como humildade, flexibilidade, disponibilidade, auto controle, altruísmo e bondade, dificilmente essa Matriz poderá gerar uma percepção de valor recíproca positiva.

Matriz de Percepção de Valor — Diogo Lopes

Saltando da matriz humana, analisaremos a de grupos humanos. Vale comentar que os grupos são reflexos do conjunto da primeira matriz, colapsando as relações entre cada ser de acordo com a cardinalidade.

Na dimensão ambiental esta a comunicação do encontro presencial, a pessoalidade, e por isso é intangível e tangível. A variação depende da sistematização e compartilhamento de informações, além da verificação das informações praticadas e coletadas.

Existe uma conexão sutil com a dimensão física da tabela de valor humano. Isso quer dizer que além da qualidade da comunicação e do encontro físico presencial, tem uma relação oculta. A relação seria a qualidade que cada indivíduo trás com ele mesmo em relação a sua matriz humana interna: corpo, mente, emoção e espírito.

A Celebração é a dimensão onde renovamos o compromisso de continuar participando do grupo, após a comunicação de como estamos atingindo o propósito e quais os resultados transformadores atingidos, a atingir e as novas habilidades adquiridas.

O carinho é o ponto mais importante para que exista conexão para quando tenhamos que tomar decisões, tenhamos empatia, co criação e percepção de valor de todos os demais itens, além do compartilhamento de valor gerado ou a gerar.

Matriz de Percepção de Valor — Diogo Lopes

Saltamos para a Matriz de desenvolvimento de organizações. Na dimensão de relações está a qualidade do conjunto de comunicações presenciais ou nao e de encontros utilizados para realizar, analisar ou revisar acordos, cumprir objetivos ou realizar ações. É intangível e tangível.

O Conhecimento é um atributo da dimensão de Processos onde renovamos o compromisso de continuar incrementando os processos de uma organização, após a comunicação de como estamos nos sentindo, podemos incrementar os processos para continuar atingindo o propósito e os resultados transformadores.

Geralmente os bloqueios ocorrem nessa dimensão. Todos os atributos operacionais estão aparentemente em ordem, dentro de processos operacionais, mas pode existir a necessidade de atuar mais profundamente em símbolos, sentimentos e arquétipos.

A partilha é o ponto mais importante para que exista conexão para quando tenhamos que tomar decisões referentes a valoração, investimentos, corte de recursos, para que tenhamos empatia e leveza nesse processo de co criação e percepção de valor é preciso trabalhar todos os itens anteriores atribuindo índices de valores gerados e suas variações de percepções.

A variação depende da qualidade da convivência e interação de seus indivíduos e grupos de compartilhamento, além da verificação das informações praticadas e coletada com cada participante em um nível operativo é preciso analisar a dimensão emocional.

Matriz de Percepção de Valor — Diogo Lopes

Saltamos para a Mariz de Sociedades.

Na dimensão de saúde está o cuidado que cada indivíduo, grupo ou organização trás com diversas variáveis como a comunicação e o ritmo de encontros, a busca por compreender as necessidades individuais para realizar, analisar e ou revisar objetivos que promovam o bem estar, bem viver e o auto cuidado. É intangível e tangível.

A variação depende desde da qualidade dos pensamentos, como da auto estima (confiança interna) que reflete a externa, considerando os padrões de nossa identidade, passando pelas experiências que vivemos anteriormente em nossas relações passadas e presentes. Para que tenhamos acordos que garantam a saúde mental é preciso ter cuidado com atributos fundamentais como os arquétipos de identidade e suas relações sistêmicas.

A Experiência é um atributo da dimensão de Educação onde adquirimos novas habilidades e competências que nos permitem renovar compromisso de contribuir com a elevação de maturidade de uma sociedade através do nosso próprio exemplo de trilhar esse processo e partilhar com os demais.

A Incidência é um ponto fundamental para que exista conexão entre o que sinto e penso com o que faço e vejo. Evitar que sejamos omissos e coniventes a processos coletivos sociais é preciso coragem moral e protagonismo.

É preciso saber significar e valorar de maneira crítica nossa própria conduta, ação, deliberação e pensamento, para que evitemos agir de maneira a banalizarmos as opiniões alheias ou agir sem verificar e sentir os efeitos de nossas próprias escolhas.

É preciso atribuir índices a valores gerados e suas variações de percepções para poder atuar de forma individual ou coletiva visando causar um impacto sistêmico na estrutura social ou política de uma comunidade.

Sabemos como é desafiador um indivíduo, grupo ou organização incidir em uma sociedade atualmente, por isso, começar de um nível individual e ir escalando parece ser uma possibilidade exequível.

Práticas do Empreender em Rede

  1. Abrir ciclos de encontros conscientes
  2. Realizar diálogos, rodas de conversas e círculos de palavras com propósito
  3. Mapear desafios e necessidades do presente pela sistematização
  4. Coletar as “dores” e o “sentir” e os pontos fortes dos participantes e grupos de conexões
  5. Analisar os pontos de sinergia e conexão de propostas gerando diagnósticos claros e também conexões claras entre participantes
  6. Potencializar os grupos através do apoio para que cada participante construa sua proposta de valor agregado e participação com as possibilidades de atuação em rede
  7. Promover aprendizagem organizacional com ênfase na colaboração e reciprocidade buscando integrar os participantes em oportunidades existentes ou criando novas oportunidades
  8. Objetivar as propostas por meio de círculos de ações dentro de grupos existentes ou criando novos grupos
  9. Refletir e partilhar a experiência de objetivação e celebrar corrigindo o curso caso for necessário, entendo os afastamentos como uma oportunidade de transcender limites
  10. Valorar os percursos empreendidos até aqui, valorar a interação e partilhar de forma tangível e intangível por meio de narrativas
  11. Compartilhar os valores das práticas e ou percursos, criando demanda pelo conhecimento e resultados gerados pelos participantes dos grupos, por novos integrantes e por outras redes, grupos ou indivíduos de maneira a incidir mudanças estruturais
  12. Verificar se existe interesse em programar novo ciclo ou ainda continuar o percurso.

Desenvolvendo Processos em Rede

Um indivíduo, grupo, organização ou sociedade é como um organismo vivo. Ele atua por funções e tem uma série de atividades que diretamente ou indiretamente estão conectadas com outros organismos.

Os interesses de um indivíduo quer seja por um propósito ou por uma necessidade nem sempre podem estar sincronizados. Mesmo que estejam sincronizados, pode ser que tenhamos que esperar o momento mais adequado para uma interação. Também pode acontecer de estarem sincronizados, mas a percepção de valor dessa “sincronização” e “momento adequado” não seja “sentida.

Ter em mente essas variáveis é importante para revelar o potencial de empreender em rede, ainda que não tenhamos como controlar os resultados.

  • Etapa de construção dos processos: Toda interação, quer seja individual ou em grupo que seja empreendida é parte do processo de sustentação. O objetivo aqui é compreender que cada interação é um marco chave.
  • Processo de ativação ou realização do grupo: Tem atributos importantes como a data de interação e o que de importante foi abordado. O objetivo aqui é compreender que cada marco chave tem uma função sistêmica e requer foco e atenção de maneira sequencial (começo — meio — fim).
  • Processo de Objetivação: É o momento em que o grupo ou parte dele possui maturidade e cultura colaborativa para sustentar a confiança, o compromisso e a conexão para co criar, comunicar-se com carinho e celebrar a realização de ações que cumpram um objetivo proposto e que esteja previamente conectado e consentido com os demais do grupo.
  • Processo de Regeneração: É quando por algum motivo conhecido ou desconhecido o grupo não reconhece que os Objetivos realizados fazem parte do mesmo propósito ou interesse de um ou mais membros e geram por isso ou por outros motivos conflitos, debates ou embates.
  • Processo de Geração de Renda e Valor Compartilhado: Fase em que o grupo é capaz de auto organizar-se em círculos de ações e transitar de um grupo em rede para um cluster autogestionado, isso quer dizer, passa a criar relações com outros grupos e redes gerando renda e ou valor por meio de outros objetivos dos quais inicialmente havia sido criado.

Como transcender esses limites e ganhar escala?

As 12 práticas de um empreendimento em rede podem oferecer oportunidades para de forma coletiva construirmos uma resposta em grupo.

Empreender em rede é complexo, envolve a necessidade de investigar diversos contextos e muitos de diferentes perspectivas sobre o mesmo grupo, objetivo ou propósito.

Esse texto faz parte de um processo individual de reflexão e partilha de resultados transformadores (prática 9) e de valorar o processo de empreender em rede durante meses com esse caso de estudo (prática 10).

Sobre a geração de valor compartilhado (prática 11) tem sido um esforço sistematizar esse artigo e outros materiais como uma oportunidade de encontrar padrões internos (nos grupos / rede) e ou externos nas demais dimensões onde queremos incidir e impactar.

Existe um potencial de demanda oculto, uma vez, que muitos podem utilizar esse processo, e ou conhecimento sem “notificar-me” o que para mim também é considerado “valor”, também interno quanto externo, coletivo ou individualmente.

Índices de Maturidade de Empreender em Rede

Reforçando que o empreender em rede tem duas dimensões: interna e externa. Interna, no próprio grupo ativador e externar nas relações que esse grupo quer ou tem com outros indivíduos, grupos ou organizações.

Índices de Maturidade de Empreender em Rede — Diogo Lopes

A Criatividade como instrumento de geração de valor compartilhado

Estamos falando aqui de valores tangíveis e intangíveis. No caso de um conhecimento, o que é muito comum gerarmos em uma dimensão interna de grupos, coletivos e redes é um valor intangível. E externamente, como podemos gerar e compartilhar valor tangível?

Rupert Sheldrake, biólogo quântico afirma que criatividade é juntar aquilo que estava separado. Entretanto, somente juntar, não pode ser suficiente.

É preciso estar atendo as necessidades estruturais e funcionais dos participantes e elementos do grupo.

É necessário uma capacidade de geração de respostas em um tempo exato, que é variável por contexto e redes, para que o interesse de foco e atenção permaneça nos demais. Caso não exista flexibilidade podemos perder importantes aliados.

Isso é o que chamamos de objetivar.

Existem trilhas e percursos que para termos a capacidade de cumprir os objetivos precisamos avançar e investir muito somente na preparação. É preciso confiar, acreditar, mas também investir nessa jornada e geralmente o pioneiro desse objetivo é quem o realiza, muitas vezes, de forma solitária.

Imagine que vamos sair da costa da África com um barco a remo para cruzar o Oceano Atlântico, chegando no Brasil. Que tal percurso? Impossível? Pois foi o que fez Almir Klink da década de 1980.

Porque ele realizou com sucesso esse percurso? Almir passou três anos planejando sua viagem antes de empreende-la. Segundo Almir, foi a etapa mais dura e a que garantiu o sucesso.

Principalmente pelo esforço de prever os riscos. Almir nunca tinha construído um barco, assim como o responsável que ele chamou para ajudar a construir o Paraty, um engenheiro naval.

Almir projetou seu próprio barco, com técnicas avançadas e um desenho que fosse possível aguentar tormentas, calculou a melhor rota aproveitando as correntes marítimas, a quantidade e tipo de alimento e água suficientes e tinha equipamentos de comunicação avançados.

Que tal? Aventureiro ou Gestor?

Empreender em rede é equivalente a uma expedição como empreendeu Almir Klink. Recomendo muito seu livro: Cem dias entre o Céu e o Mar.

Durante sua expedição, o barco de Almir, “Paraty”, teve um exemplo muito interessante de “geração de valor compartilhado” com sua “comunidade recíproca”, afinal, era o Oceano, que o ajudava a cumprir sua missão. Havia um molusco que estava no casco do barco, do lado de dentro da água, e os Tubarões usavam esse molusco para atrair os Dourados. Era através de uma pancada forte que os moluscos caiam e atraiam os Dourados para os Tubarões poderem comerem os Dourados.

Entrevista com Almir Klink no Globo Ciência em 1986

Inspirado em Almir Klink e sua expedição criei um mapa que tem como objetivo apoiar os exploradores em suas expedições para empreender em rede.

Mapa de Ativação e Realização de Empreendimentos em Rede — Diogo Lopes

É preferível empreender expedições por meio de jornadas, que são trechos menores, onde podemos fazer pausas. Entretanto a expedição de Almir não teve pausas. Foram cem dias entre o céu e o mar como registra o título de seu livro. Isso quer dizer que sua embarcação deveria ser apropriada para essa rota.

Antes de definir a rota, Almir pesquisou antes as correntes marítimas e o vento para viajar em favor dos ventos.

Escutando Almir Klink na entrevista acima, ele comenta sobre a rota empreendida e o risco de chegar um local do Oceano chamado “Centro de Alta Pressão” e o risco de ele não conseguir sair desse ponto que gira em círculos era muito grande.

A rota que empreendeu Almir não foi em linha reta, e também, não foi a mais curta para evitar que pudesse estar contra as correntes ou cair no centro de alta pressão.

Almir se preparou fisicamente para remar 74 km por dia. Em seus cálculos ele precisaria como tripulação, avançar, para evitar que ficasse a deriva no oceano. O percurso diário empreendia uma rotina de oito horas de remo na mão, mas apenas 1/4 do esforço necessário para navegar foi feito por ele. O Oceano empreendia por meio das correntes marítimas o mair esforço de levar a embarcação a África ao Brasil.

Almir passou uma semana dentro do barco sem pode sair por conta de uma tempestade onde o barco girou diversas vezes, mas contava com um equipamento de rádio onde recebia apoio emocional do projetista do rádio.

Entretanto, Almir sabia 24 horas antes que uma tempestade iria chegar, recebendo diariamente boletins meteorológicos pelo seu rádio amador. Quer dizer que ele poderia se preparar para uma tormenta e não ser pego de surpresa. Almir ainda tinha outros equipamentos de rádio, caso fossem necessário, para comunicar-se com outras embarcações.

Nesse sentido, estamos descobrido a importância dos papéis na comunicação no “empreender em rede”. Com Almir falavam quase que diariamente: o projetista do barco, o projetista do rádio, sua Mãe ao finais de semana e seu Médico.

Papéis e Funções por Nível de Maturidade — Diogo Lopes

A geração de energia para o barco também foi um processo muito criativo: a energia solar, já em 1984, como alternativa para alimentar o sistema de comunicação do barco. Um engenheiro elétrico fez os cálculos para Almir e produziu o sistema de energia sobre medida para o barco.

Amyr Klink em 1984, ano da travessia a remo do Atlântico Sul (Foto: Reprodução/ Flickr)

Comunidades que sustentam o empreendimento em rede

Todo empreender em rede leva tempo para ser concebido e leva tempo para ser ativado e leva tempo para ser realizado. É preciso planejar com que tipo de embarcação, tripulação, rotas e clima vamos explorar esses percursos. É preciso saber em que momento remar e qual o momento esperar a tormenta passar. Acima de tudo é preciso ter humildade para reconhecer que não temos o controle e não se apegar aos resultados.

É necessário planejar, mas também fazer acontecer. Fazer acontecer é ter capacidade de gerar respostas e além de animar e ativar, remar oito horas por dia.

Empreender em rede também custa caro. Não significa que não vai ser necessário dinheiro e que tudo vamos empreender por meio de trocas ou colaboração, mas é preciso saber o que se quer fazer, com ou sem dinheiro.

É preciso ver o dinheiro como um meio e não como um fim. É preciso valorar e profissionalizar o “colaborativo” e buscar investidores ou co investidores para empreender em rede, mas é preciso “remar”, que seria o propósito de sua expedição com ou sem dinheiro. Se eu amo remar, não vou ficar esperando patrocínio para construir um barco a remo, eu vou construí-lo, eu vou remar.

Um ponto fundamental é encontrar quem tem o mesmo propósito ou quer participar desse propósito e buscar alternativas desde de um objetivo claro.

É nesse momento que ativamos ou animamos as redes para tornarem-se comunidades recíprocas, quando temos um objetivo claro e um convite sobre como podemos interagir e participar.

Assim como o projeto Paraty, me parece ter mutia claridade sobre quem era preciso para cumprir o objetivo: nutricionista, projetista do barco, projetista do rádio amador, médico, informações estratégicas e estudo prévio da travessia e investidores, procure criar grupos de 2 a 7 pessoas que atendam os requisitos básicos de seu empreendimentos.

Formar grupos é a parte fácil. Mantê-los é mais complexo. Nesse sentido é preciso compromisso para que exista co responsabilidade. Somente permanece quem esta disposto a manter o foco e atenção neste objetivo como prioridade. Isso inclui informar e comunicar apoio: “Eu permaneço, e preciso de apoio ou com essas condições”. Esse apoio pode ser financeiro, mas também pode ser emocional, físico, ou intelectual.

O importante nesse processo de mapear as condições, não atende-las, mas além do apoio em si, é o desejo de conhecer as necessidades e buscar apoiá-las. Seria como conhecer a força e a direção de cada “corrente” e orientar a direção do barco para uma rota mais favorável.

Em alguns casos, não vamos ter o dinheiro para pagar um projetista para o nosso barco, mas o fato de comunicar com carinho: “sim, eu sei quanto custa. sim vamos conseguir viabilizar” ou, não sei quanto custa. não vamos conseguir viabilizar”, pode dar segurança de que existe o desejo de “remar juntos” ao suspender o processo até emergir a viabilização.

Saiba mais: Artigo completo – Com Casos de Estudos Práticos.

Autor:
Diogo de Castro Lopes (Premavatar das)
Empreendedor Value Builders
Docente Investigador da Universidade de Sabedoria Ancestral
Facilitador de Processos Colaborativos na Mentoria Orgânica
Co Fundador Gondola Segura
Contato: Linkedin

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